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Nódulos de tireoide: o que você realmente sabe sobre eles?

Os nódulos de tireoide, apesar de na sua maioria serem benignos, podem deixar uma pessoa bastante ansiosa. Saber que se tem um nódulo, em qualquer local/órgão, gera uma angústia imediata e o desejo de retirar o que não deveria estar ali. Mas quando se trata de nódulos de tireoide, posso dizer que temos muita cautela antes de tomar a decisão de “tirar”. Na verdade, temos muita cautela antes mesmo de decidir se devemos ou não investigar um nódulo de tireoide naquele paciente.

Não é à toa que a ultrassonografia, o melhor exame para visualização de nódulos de tireoide, não é um exame indicado rotineiramente (ou “de rotina”) para rastreio de nódulos, assim como vemos bem aplicado para outros exames de prevenção, como a colonoscopia, por exemplo.

Quando se deve investigar um nódulo de tireoide?

Uma vez encontrado o nódulo de tireoide, com base nas características da ultrassonografia e dados clínicos do paciente, se define se ele será direcionado para punção aspirativa por agulha fina/biópsia ou se seguirá apenas em acompanhamento clínico e ultrassonográfico. Parece algo simples. E aqui abro parênteses. Eu sou da opinião que não devemos complicar um tema que é simples a fim de torná-lo patrimônio de superespecialistas.

Muitas doenças da endocrinologia, por serem muito prevalentes, acabam sendo alvo de interesse de muitos. E quanto mais o conhecimento é difundido, mais as pessoas têm a chance de entrar em contato com determinado tema e entendê-lo, o que é maravilhoso. No entanto, corre-se o risco de cair na armadilha da superconfiança, que faz o indivíduo pensar que com um conhecimento mínimo do tema ele já o domina totalmente.

Um estudo mais aprofundado sobre (quase) qualquer tópico na medicina leva a pessoa a entender que ainda resta muita incerteza sobre o assunto. Portanto, o papel do médico está em juntar a história clínica, resultados de exames, preferências e contexto do paciente para tomar determinada decisão. E pra isso é necessário bastante treinamento. Fecha parênteses.

A ultrassonografia na investigação

Quando realizada por um radiologista bem treinado e experiente, ela pode nos dar muitas informações e ser bastante decisiva sobre a necessidade ou não de biópsia. Por outro lado, se feita por um profissional que não tem o adequado treinamento e expertise, ela pode mais atrapalhar e confundir do que ajudar. É como dar um livro complexo para alguém que está aprendendo a ler; talvez alguma informação seja tirada dali, mas provavelmente a interpretação do texto não será tão precisa.

Se você já leu algum laudo de ultrassonografia de tireoide, possivelmente lhe chamou a atenção que a descrição dos nódulos agora vem acompanhada da classificação de TIRADS. Essa é a abreviação para “Thyroid Imaging Reporting and Data Systems”, mais comumente o ACR-TIRADS, publicado pelo colégio americano de radiologia em 2017. Essa classificação se baseia em uma pontuação: quanto mais alta, maior o risco de malignidade daquele nódulo. O ACR-TIRADS tem se mostrado um bom sistema para seleção de nódulos para punção. No entanto, de novo faço a ressalva que ele deve passar pela avaliação de um radiologista habilitado, e o seu endocrinologista pode recomendar um profissional.

Converse com um especialista sobre os nódulos de tireoide

Portanto, são vários os fatores que influenciam o raciocínio do médico para a interpretação adequada de quem deve fazer a ultrassonografia de tireoide, do seu resultado e da conduta a se tomar a partir disso.

Se você tem interesse, minha dissertação de mestrado foi sobre nódulos de tireoide. O artigo fruto do trabalho está publicado em revista internacional. E a dissertação completa está disponível neste link.

Você tem alguma dúvida sobre a sua tireoide? Então agende uma consulta e vamos conversar.